"A vida seria tão mais fácil se eu gostasse de vinho..."
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Sim, sou um fã do Green House assumido. Você pode falar que o Arjan é um chato metido, que ele tem um ego gigante e que o coffeeshop dele é extremamente comercial. Concordo com quase tudo mas como não acho muito produtiva essa discussão, mesmo sabendo do seu valor, vou me deter as qualidades do estabelecimento dele.

Gosto muito do atendimento do Green House. O dealer sempre atencioso, comida boa e fumo de primeira. Também admiro muito o trabalho deles no campo das landraces. Por esses motivos, para variar, resolvi passar lá depois do trabalho.

A Chocolope foi uma planta que me deixou com dúvidas. Tinha certeza que o “dealer” havia me vendido como uma indica poderosa. O efeito, também se comprovava indica. Então porque em todo lugar que eu lia falavam que a Chocolope era predominantemente sativa? Tinha que tirar minha dúvida e conversar com os caras. 

Como o assunto não é Chocolope, vou redirecionar o assunto para a espécie que quero tratar aqui. 

Cheguei no Green House e perguntei se o dealre estava ocupado. Queria conversar com ele sobre uma série de coisas e, assim, alugar o tempo dele por uns 30 minutos. Então, como manda a educação, perguntei qual a disposição dele para trocar uma idéia. Ele foi bem brother e se colocou a disposição para esclarecer minhas dúvidas. Conversamos sobre “charas”, Chocolope, Exodus Cheese e terminamos em i Buddha. Ele achou legal que eu já havia fumado todas as indicas do catálogo e sabia discursar sobre elas, menos da última da lista. A tal da i-Buddha. Que planta é essa afinal?

O “budtender” disse que era uma índica forte, que ele não conhecia e nem havia fumado. Perguntei do parentesco? Mistério.

Ele me dobrou e convenceu-me de comprar quando abriu a caixa onde guardava a maconha. Quanto cristal! Os pequenos nuggets do rockbud cintilavam na meia-luz do coffeeshop. Uma beleza. Assim, comprei uma grama de charas e outra de i-buddha sem pestanejar.

O fumo é realmente bonito. Estilo rockbud, como falei, extremamente resinado e cabeludo. A tonalidade do bud é de um verde bem escuro. Como não havia levado meu esmurrugador, abri ele na mão. O cheiro é maravilhoso. Quem lê o blog sabe como eu gosto de fumo cheiroso. No pega do beck apagado, revelavou todo o sabor cítrico de tonalidades inconfundíveis de manga. O gosto é nítido na língua e essa referência da fruta, tão brasileira, me transportou para as tardes onde me lambuzava na sombra da mangueira na casa dos meus avós. Aceso, a fumaça desse macia, com uma pequena cosquinha na ponta da língua, com um “aftertaste” ok, mas mantendo alguma coisa da planta apagada.

Queimei o equivalente a 1/6 de grama. Uma planta forte, sem sombra de dúvidas. Mas mesmo assim bem menos potente que outras genéticas do Green House. Veja bem, não considero isso um grande problema. Apenas percebo que é uma característica das plantas daqui o tradicional soco no queixo. Talvez esteja mais forte para maconha e tenha assimilado o golpe com mais facilidade. Em todo caso essa foi minha observação quanto a potência.

Sem sombra de dúvida uma planta interessantíssima e que vale o teste. Principalmente pelo seu sabor manga, que ainda não havia encontrado de forma tão nítida. Ainda procuro pelo parentesco dessa menina. Então, se alguém tiver uma pista, é só mandar.

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Maconha não é mais uma droga leve.

Essa é a novidade na argumentação sobre os motivos de manterem a erva ilegal. Falam que, com o passar dos anos, e o desenvolvimento genético, a planta que tinha 4% de THC virou um monstro, podendo chegar até 20% desse químico terrível.

Então, corram para as montanhas!

Sim, parece piada mas, novamente, esse é o tipo de factoide lançado por quem não entende absolutamente nada de maconha. Não vou mentir: a erva realmente ficou mais forte. Isso é uma certeza.

Tudo começou nos Estados Unidos, ainda na década de 70, quando os hippies começaram a misturar genéticas afim de melhorar a potência e a qualidade do fumo. O estágio final dessa evolução foi dada pelos Holandeses, quando introduziram técnicas de cultivo indoor, juntamente com hidroponia, para obterem melhores resultados com as genéticas já existentes.

O que ninguém fala, ou fala pouco, ou prefere esquecer-se, é que a concentração da droga também exerce mudança na forma de consumo da maconha. Isso você observa no próprio álcool. É comum pessoas beberem uma garrafa de cerveja mas quando o produto é tequila, contamos o quanto ingerimos em doses.

Assim, o baseado dos anos setenta, que era uma vela, passou a ser menor, mais comedido. Claro, não posso deixar de falar que existem cabeções que fumam um “beck” gigante de skunk e ficam retardados. Isso faz parte. Mas vamos ser sinceros. Qual o efeito colateral desse baseadão sem noção? Uma dormida gostosa, depois de umas boas risadas e um ataque a geladeira? E o que acontece quando alguém bebe uma garrafa de Tequila?

Avançando no tema. Não preciso ir muito longe para embasar minha explicação. O homem convive com altas concentrações de THC a centenas de anos.

Para evitar que o careta mais próximo diga que estou me desmentindo, afirmando que eu mesmo, nesse texto, expliquei como a maconha evoluiu de 5% para 20%, vou ser curto e grosso. O consumo de haxixe é quase tão antigo quanto o uso da própria maconha.

O hash, para os mais íntimos, nada mais é do que a resina das flores da planta. A concentração do princípio ativo, nessa poderosa substância, é muito maior do que os 5% apresentados pelos “entendidos” quando falam da maconha do passado.

Quer dizer que a humanidade convive com concentrações de THC maiores do que 15% a algumas centenas de anos? Sim.

Chega a ser engraçado, então, que se apresente fatos tão horripilantes contra a maconha moderna, baseado em um argumento tão frágil. O problema é que quando falam isso para a minha mãe, que não entende bulhufas, ela fica assustada.

E esse é o ponto que eu venho martelando. O objetivo dos proibicionistas, hoje, não é mais discutir. Nenhum deles quer resolver o problema. O que eles querem é criar factoides, assustar a população, e desviar o foco do debate. Muito bem, poderia acabar o texto aqui mas não vou. Quero colocar mais alguns fatos ainda dentro desse mesmo tema.

Quando vim para a Europa pela primeira vez, em 1998, uma das coisas que mais me impressionou era o fato de que as pessoas não fumavam maconha pura. No Brasil, era inconcebível misturar a erva com tabaco. Além de estragar o gosto, o barato que dava nos não fumantes, era alterado por uma sensação estranha causada pela nicotina.

Outro detalhe interessante, que era ainda mais acentuado em países como Espanha e Portugal, era o consumo em larga escala do haxixe, algo, mesmo hoje, muito raro no Brasil. Pelo estreito de Gibraltar, passavam e continua passando, toneladas de haxixe da mais pura qualidade. É o famoso Marroquino, vindo do país de mesmo nome e com a maior plantação de cannabis do mundo. O haxixe lá é uma cultura milenar e a potência é conhecida no mundo todo. Um bom haxixe Marroquino tem entre 15% e 25% de THC e ele é um produto de fácil acesso na península Ibérica desde que Tariq ibn-Ziyad, invadiu a região. O fumo, então, por ser muito mais forte, sempre foi misturado com tabaco. Um clássico exemplo de como a potência do produto, afeta a forma com que culturalmente se consome a maconha.

E não me venha você dizer que o motivo para se fumar haxixe com tabaco seja o fato de ele queimar melhor. Isso é uma verdade. Mas não esqueçamos que o consumo de haxixe é ainda mais gostoso quando degustado em um cachimbo. Os Shaivas, devotos de Shiva, por exemplo, fumam a resina em um chilum, pura. Coloquei esse último exemplo apenas para me distanciar um pouco da tradição árabe e provar que não tem novidade nenhuma em consumir altas concentrações de THC, mesmo em outras culturas do planeta.

Então, para finalizar, concluo que esse argumento notável e novo dos proibicionistas já está desatualizado em pelo menos uns 1900 anos. Sim, a evidência mais antiga de uso da resina da cannabis data do ano 100. Existem provas, na forma de relíquias arqueológica, que já naquela época se fumava haxixe.

Bom, se isso não é suficiente para mudar a opinião de um “assustadinho”, só mesmo esperando pela volta de Jesus. Ai eles podem escutar a verdade da boca do próprio messias.

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Nos últimos tempos tenho notado como está cada vez mais difícil debater com proibicionistas sobre a legalização da maconha. E por incrível que pareça, o que torna o debate complicado é o fato de existirem poucos argumentos para criticar nossa ervinha. Por esse motivo, ou eles se agarram a factoides antigos como a queima de neurônios ou então usam exemplos de outras drogas para justificar a proibição da maconha.

O mais normal é puxar a dinâmica do crack e cocaína para fundamentar suas opiniões contrárias a legalização. Veja bem. Não estou julgando o usuário de cocaína e crack. Até acho que em uma sociedade ideal a cocaína deveria ser regulamentada, com a justificativa que isso acabaria inclusive com o crack. Para quem não sabe, a pedra nada mais é do que um subproduto de baixa qualidade da cocaína. Por outro lado, não vejo vantagem nenhuma em associar a maconha com qualquer droga, nem mesmo o álcool. Isso só nos faz perder força pois, afinal, a erva é muito menos maléfica, podendo ser classificada, inclusive, como remédio.

Agora que a Cracolândia virou o centro do debate sobre drogas no Brasil, tendo a bandeira “sanitarista imobiliária”, muitos “especialistas” voltam ao tema da maconha fazendo comentários como “e tem gente querendo legalizar as drogas”. Mas é claro que tem! Mais do que legalizar, regulamentar e descriminalizar. Tudo almejando uma sociedade mais humana e inteligente em suas questões sociais. Só que, mesmo respeitando e entendendo a necessidade de discussão sobre o problema do crack, as duas drogas não podem ser colocadas no mesmo saco.

A legalização da maconha é, inclusive, uma ótima experiência para futuras regulamentações. Por ser uma droga ainda mais leve que o tabaco e o álcool, seria uma ótima oportunidade de testarmos novas formulas de organizar um mercado de substâncias entorpecentes. Uma experiência que evitaria problemas que hoje temos com o álcool, por exemplo, onde cerveja pode ser associada livremente a artistas e esportistas, gastando-se uma enormidade de dinheiro para aumentar o consumo dessas substâncias, através de propaganda. Droga não deveria poder gerar lucros exorbitantes e nenhuma associação ou empresa deveria procurar, no aumento dos usuários, uma forma de aumentar seus ganhos. Mas isso é uma opinião pessoal, que também carece de maior embasamento de minha parte.

Voltando ao tema, acho absurdo quando pessoas inteligentes, demonstram total falta de entendimento do que é a maconha e fazem seus julgamentos segundo a realidade de outras drogas. O psiquiatra Ronaldo Laranjeiras, por exemplo, falou que já existe uma experiência para a legalização e chama-se Cracolândia, quando indagado no debate sobre a maconha promovido pela Folha de São Paulo. Sinceramente, é difícil acreditar que um estudioso do assunto, crie esse tipo de factoide por falta de conhecimento. Na minha humilde visão, uma opinião construída de forma a causar pânico na sociedade, por um psiquiatra, só pode ser fundamentada para atingir algum objetivo diverso que não o bem social. Como o Doutor Ronaldo Laranjeiras pode negar os efeitos farmacológicos e fitoterápicos de um medicamento de baixíssimo custo e sem patente em poder de companhias farmacêuticas? Porque sempre associar a maconha com a cocaína e ao crack, e não debater a substância com a devida isenção científica?

Estamos cansados de saber que a maconha não causa dependência como o crack. Não sou eu quem está dizendo isso, são estudos científicos repetidos em diversas universidades por todo o mundo. Efeitos esses de dependência, infinitamente menores que o cigarro e o álcool também. Você não encontra pessoas caídas nos cantos, roubando e matando para fumar maconha. Nem mesmo em mercados mais liberais como na Holanda e nos Estados medicinais dos Estados Unidos você observa a realidade pintada pelos proibicionistas. Olhando-se os números em detalhes, a conclusão não pode ser diferente de que o mercado regulamentado de maconha afeta pouco a sociedade em termos de saúde pública e criminalidade. A tentativa de associar a maconha com a indesejável e sinistra imagem de usuários “zumbis”, provocada pelo extremo uso de drogas como cocaína e heroína, é a simples tentativa de assustar e mascarar a realidade, afim de impedir que a sociedade debata o tema dentro do nível intelectual necessário para resolver o problema.

Ai eu me pergunto: por que isso? Analisando friamente esses especialistas, alguns como o caso da “psicóloga cristã” líder do movimento “Maconha Não”, fica claro que a maconha virou sua plataforma. Se é política, comercial ou apenas social, como ela fala, não posso afirmar com certeza. O que eu posso dizer sem erro é que não é segredo para ninguém que, procurar um inimigo comum, fácil de ser demonizado, é uma astuta forma de conseguir adeptos a uma plataforma política. A “Guerra as Drogas” é um exemplo, assim como a “Guerra ao Terror”, a “Guerra Fria” e a perseguição aos judeus, pelos nazistas, na segunda guerra. Fácil angariar mentes frágeis ao redor de temáticas terroristas para direcionar a sociedade rumo ao cerceamento de liberdades ou na simples busca pelo poder. Com a justificativa de proteger de uma ameaça maior, sempre vem, em contra partida, a idéia da necessidade de um Estado paternalista e controlador. Mas é esse o ideal de país que queremos para nossas vidas? Um Big Brother de Jesus e da moral cristã?

Incrível como se usa a religião para justificar o julgamento e o enquadramento das pessoas em uma dinâmica social pouco criativa e muito homogênea. Mesmo sendo Cristo um libertador e um liberal, perseguido pelo “status quo” por defender idéias até então revolucionárias no judaísmo, o cristianismo virou a melhor forma de lavagem cerebral. Qualquer coisa que você colocar na boca de um pastor ou padre vira a lei, mesmo que não seja fundamentada em nenhuma escritura ou na verdadeira moral cristã. O povo não questiona. Aceita aquilo com uma preguiça mental que mais parece uma lobotomia religiosa.

Quando eu olho para a totalidade das pessoas, usadas por essa máquina de propaganda evangelizadora e terrorista, enxergo uma população ignorante e medrosa que prefere esconde-se atrás de figuras messiânicas a pensar sobre assuntos que vão além de sua área de entendimento. Ler e pesquisa? Por que se eu tenho alguém que me diz o que fazer? Todos muito bem intencionados, mas também extremamente comodistas ao acreditar tão facilmente em falsos pregadores, especialistas, políticos e defensores da família. Entregam para esses falsos mentores a responsabilidade de construir uma sociedade melhor, em troca de uma promessa utópica de um mundo “sem arestas”, onde todos seguem a mesma fé, comem a mesma comida, usam as mesmas drogas, roupas e mantém a mesma conduta sexual. Tudo sem questionar se esse é realmente o mundo ideal, em uma clara e triste ausência de vontade própria. Os mentores dizem o que é certo e as ovelhas pastam sem entender as intenções que movem seus pastores. Enquanto comem grama, não precisam pensar sobre o futuro inevitável que é a morte nas mãos desses mesmos senhores. Uma confiança cega que, para o bem da liberdade e da democracia, jamais deveria ser entregue com tanta facilidade.

Quando se fala com pesquisadores sérios como Sidarta Ribeiro e Renato Malcher-Lopes, a opinião é de que a maconha não é porta de entrada para outras drogas. As propriedades e efeitos químicos da erva são diametralmente opostos ao da cocaína e do crack. Enquanto os dois últimos são estimulantes, a maconha não aumenta a atividade cerebral e mesmo causando certa euforia, age em receptores no cérebro bem diferentes da cocaína. Assim, é errado dizer que existe qualquer relação química para o uso das duas drogas ou a “teoria da escada”.

Por outro lado, já existem estudos que provam que usar maconha no processo de desintoxicação e reabilitação dos usuários de crack, tem efeitos mais positivos do que a internação, defendida por essa maioria conservadora. O psiquiatra Dartiu Xavier teve seu estudo publicado no “Journal of Psychoactive Drugs”, nele ele afirma que 68% dos usuários, em um universo de 50, largaram o vício do crack atenuando a “fissura” com maconha, para depois abandonar também a erva por vontade própria. Agora pergunte para esses psiquiatras proibicionistas a porcentagem de recuperação na clínica deles.

A questão é que não devemos ver as duas drogas juntas quando o debate é sobre maconha. Não porque não nos solidarizamos com o drama dos dependentes de cocaína, mas sim porque argumentos que desqualificam outras drogas não se aplicam a maconha. Na verdade, o único espaço cabível a cannabis, na discussão do crack é em como ela pode ajudar no tratamento de usuários crônicos. Nada mais que isso.

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O dealer do Greenhouse não entendeu muito quando perguntei pela Chocoloope. Estava lá, no cardápio deles mas não empolgava ou fazia brilhar os olhos do vendedor. Já havia encontrado muitos relatos sobre essa genética e estava um pouco curioso. Principalmente pelo lugar do menu onde estava listada: indicas. A Chocoloope, no geral, é sempre classificada como uma sativa.

O “budtender” seguia em sua linha de argumentaçnao, tentando me dissuadir de comprar a planta. Achava a viagem muito indica, “stoned” e sem a alegria das sativas. Aqui vale uma parêntese. Ando fumando muita sativa, principalmente pelo blog, então quando ele ressaltou os efeitos orientais da planta pedi uma grama sem hesitar muito.

Uma planta verde escura, de cabelos mais clarinhos e bem resinada.. O cheiro não é muito forte. Um bouquet mais para o de mato mesmo. Lembrando, chá verde erva fresca ou grama. Uma espécie onde o odor não se revela muito. Mesmo no teste do beck apagado ou depois de aberto o camarão, pouco melhora.  Uma característica que não gostei muito. Adoro plantas “fedorentas”. Ainda mais quando estamos falando de indicas. Plantas com essa característica oriental costumam variar por tons cítricos fortes. Tudo bem, esperava algo mais achocolatado pelo nome, mas ficaria feliz com qualquer outra tonalidade de odores.  Mesmo a característica de chá verde me deixaria feliz, caso fosse mais presente.

Depois de acesa a fumaça pega na garganta. Um gosto apimentado com aquele formigamento na ponta da língua que algumas plantas tem. Nada especial nesse sentido, é apenas uma característica de sabor. Sinceramente não tenho preferência nesse requisito. Geralmente, por experiências, plantas com essa característica picante costuma ser mais fortes de efeito. Infelizmente isso é uma observação não apoiada em nenhum estudo, apenas minha opinião.

Seguindo a linha da maioria das plantas que tenho experimentado, o aftertaste não é dos mais interessantes. Nada de especial.

O efeito, por outro lado revela-se interessantíssimo. Estava com uma dor na coluna que desapareceu quase que imediatamente após apenas alguns pegas. Uma chapa anestesiante, inebriante e relaxante. É como se fosse transportado para uma bolha de conforto e calor. Não tem como negar que é muito forte. Já desconfiava que deveria ter algumas características interessantes na chapadeira pelo preço. Como uma índica, sem cheiro e sem gosto vai custar 14 euros? O efeito tinha que ser bom, como foi. Talvez, baseado no meu achômetro novamente, essa espécie seja rica em CBD. Uma característica interessantíssima quando tratamos de plantas medicinais.

Mesmo assim, na opinião desse cannabista não vale o preço. Não abro mão de sabor e cheiro. Esse é o motivo de estar um pouco chato com o aftertaste da maioria das plantas. Eu acho que os fumos devem ter características mais complexas em todos os fundamentos. Não adianta apenas ser um ótimo remédio. Ele precisa de características que tragam mais sabor a experiência sensorial. 

 

Depois das minhas merecidas férias o Blog volta com tudo. Obrigado pela paciência e força enquanto estava parado. Se estiverem na fissura do blog e não conseguem esperar pelos updates, basta me seguir no twitter que podemos trocar uma idéia por lá mesmo: @ocannabista


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Demorou mas, depois de tanto tempo, finalmente achei uma oportunidade para provar a tão falada Tangerine Dream do Barney’s.

Estava com alguns amigos Suecos na cidade e resolvemos fumar um antes que os Coffeeshops fechassem. O horário estabelecido pelo governo para que eles encerrem atividades é a 1h da madrugada. Já passava da meia-noite, então sugeri de comprarmos um fumo no Barney’s Coffeeshop e irmos fumar no Barney’s Uptown. O Uptown não fecha pois é um Bar. Não vende maconha mas o uso é liberado lá dentro e eles tem álcool. Não costumo misturar, mas a idéia de um chopinho não era tão ruim aquela hora da noite.

Como estávamos num clima descontraído, optei por comprar a Tangerine Dream. Essa é uma genética onde o trocadilho com o nome faz todo sentido. Primeiro porque é um cheiro maravilhoso, cítrico. Segundo, pela cor alaranjada de seus cabelinhos.

A planta é absurdamente resinada, com cabelos em grande volume também. Um fumo muito bonito. Daqueles que dá gosto de mostrar para os amigos.  Imagino o prazer que deva dar plantar essa beleza. Ver os camarões incharem e depois trocaem de cor dando a planta esse aspecto único. Quem sabe um dia….

Estudando um pouco a genética descobri porque havia gostado tanto e de onde vem seu potencial. Na minha interpretação, ela é uma evolução da G13 Haze, uma das minhas plantas favoritas. Digo isso pois o parentesco é muito próximo. Eles usam a G13 e cruzam com uma Neville’s A5 Haze, o resultado é misturado novamente com a mãe G13. Essa é a breve história genética dessa beleza.  Já escrevi bastante sobre o passado de ambas as espécies no meu post sobre Haze, aqui: http://goo.gl/M5zNf

A Neville’s A5 Haze é a seleção da cruza entre a mãe Northen Lights #5 com o papai Haze A. Uma planta que foi usada como base genétia de infinitas espécies.

A grande questão, para mim, em toda essa discussão é: Onde o Barney’s conseguiu um clone de G-13 e outro de Neville’s A5 Haze? Deixo essa discussão em aberto porque ambas as espécies são consideradas mortas ou apenas vivas através de híbridos.

O sabor, depois de queimado, segue muito bom, mantendo os tons cítricos com uma pequena pegadinha na língua. Um “aftertaste” gostoso, algo incomum, na minha opinião, entre a maioria dos fumos vendidos nos Coffeeshops. Uma planta deliciosa, realmente. Fiquei bem impressionado. O choque do pulmão também não é dos maiores. Talvez essa seja uma das diferenças mais notáveis se comparada com a G13 Haze.

Por outro lado em termos de efeito é um tiro.  Poucos pegas são necessários para deixar um grupo grande abalado. Tenho a impressão de que a chapadeira é menos intensa do que a da G13 Haze. Mesmo assim, fica complicado afirmar isso categoricamente tendo em vista os 25% de THC que o seedback afirma que ela tem. Em todo caso, achei a viagem mais equilibrada.

É o perfeito balanço entre uma sativa forte e uma indica de primeira. Um fumo leve, bem balanceado. Certamente é uma das maconhas mais deliciosas que fumei. O efeito, com tons psicodélicos das sativas mais fortes, combina-se com perfeição as sensações mais tranqüilas e anestésicas das indicas. Vale cada centavo.

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O maior ativismo é estudar e vou dizer porque.

Já perdi as contas das vezes que escutei pessoas falando que maconheiro é burro ou maconha queima neurônio. Não adianta dizer que esse conceito já caiu por terra fazem mais de 2 décadas. As pessoas ainda acreditam nele e recitam esse mantra como se fosse uma lei.

Pensando um pouco sobre esse tema, conclui que existe muito a ser discutido, então decidi dividir meus pensamentos com vocês, companheiros de luta.

O primeiro deles é que o maconheiro responsável deve provar que maconha não queima neurônio, dentro do seu próprio universo. Importante dizer que não me refiro a neurônio físico, a célula em si. Falo do conceito de inteligência, conhecimento e sabedoria. Qualidades muito subjetivas e, certamente mais importantes que um pedaço de tecido nervoso materializado. Vale lembrar que existem pessoas que vivem normalmente sem metade do cérebro. http://goo.gl/oBxXm

Voltando ao tema, entendo que o caminho para provarmos que não somos um bando de abobados, é através de nossas próprias atitudes. Nenhum estudo médico é mais poderoso do que elas.

Saliento ainda, que não falo de forma alguma de conceitos acadêmicos. Em outras palavras, não me refiro apenas a atingir resultado no terreno da universidade, colégio, ou performance profissional, mas também no aperfeiçoamento individual nas mais diversas esferas do conhecimento humano. Você pode conseguir esse estado de respeitabilidade cognitiva através da música, esporte, arte, filosofia, etc… O importante aqui é manter o sistema nervoso afiado.

Existe um segundo ponto que gostaria de tratar. Esse diz respeito ao fato de a maconha ser, por si só, um objeto de estudo também.

Acho que todo usuário, de qualquer droga, tem como obrigação estudar a substância que coloca dentro do corpo. Então, nesse caso, não considero estudar apenas a maconha como um ato de aperfeiçoamento individual. Ela, nesse caso, é um dever do usuário. É um ato de responsabilidade com o seu corpo e com toda a sociedade. Então não adianta dizer que anda estudando muito maconha. É importante? Sim. Mas na verdade, você não faz mais que a obrigação. 

Sei que é polêmico falar isso. Mas antes de me criticar, imploro que você entenda o ponto onde quero chegar. Maconheiro não pode ser considerado apenas maconheiro. Ele tem que ir além desse conceito.

Avançando na minha teoria, diria que só tem o direito de dizer que é “maconheiro com orgulho”, o indivíduo que é algo mais do que apenas um fumador, queimador, carburador ou processador de cannabis. Esse não é o tipo de pessoas que precisamos na nossa luta e muito menos na nossa sociedade.

Precisamos de mais pessoas como Sidarta Ribeiro, que tem graduação para olhar para um Doutor Ronaldo Laranjeiras e dizer, na cara dele, que, apesar do diploma em psiquiatria, ele esta falando bobagem. O movimento necessita de mais caras como o Marcelo D2, que é um baita músico e, mesmo quando fala sobre maconha, coloca ela num contexto social. Aliás, conheço uma galera que não fuma maconha e adora o som dele. Assim, mesmo não gostando da erva, essas pessoas abriram seus corações para questionar a ilegalidade. Tudo por intermédio de uma música, uma poesia. Precisamos de mais doutores Greenspoon, para defender de forma coerente e racional nosso direito a fumar. Um homem que sofreu na sua própria família a dor que a ilegalidade traz para um paciente terminal. Quero ver em nossas caminhadas mais marchadores com o perfil de um Carl Sagan, que além de fumar seu baseado, era capaz de descrever o Universo e seus segredos como apenas um gênio poderia. Até o Jorge Cervantes é um horticultor e botânico antes de ser um ferrenho ativista. Precisamos evoluir em qualidade, não apenas em quantidade.

Pensem nisso.

Como segundo ponto, quero também fazer algumas observações pessoais sobre o ponto de vista do pai, do empregador e do crítico social.

Juro que não dou a mínima para como as pessoas se vestem, para a cor da sua pele, nacionalidade, corte de cabelo, se tem piercin/tatoo, sexualidade ou muito menos para a idade.

Agora me importo muito com as idéias que saem da boca das pessoas. Digo mais, nesse ponto específico sou extremamente crítico.

Acho, inclusive, que o visual descolado, muitas vezes, funciona como uma excelente arma contra o proibicionista burro. No poker, por exemplo, o segredo é jogar com as expectativas que o oponente tem sobre o seu estilo de jogo. Use seu cabelo rasta a seu favor e, quando eles menos esperarem, mostre suas cartas. Não seja lembrado apenas pelos dreads, mas muito mais pelo que eles representam e adornam: sua cabeça e sua cultura.

Eu também já tive meu visual mais heterodoxo e adorava quebrar as expectativas. Deixo essas observações de estilo apenas como uma dica.

O próximo tema que quero discutir é como pai. Preciso desabafar que, entendo o fato de porque, por muitas vezes, os pais não darem ouvidos aos argumentos mais corretos, vindos de um filho.

Como vou escutar, por mais que eu ame, alguém que ainda não provou nada, está apenas começando a descobrir o mundo, e além de tudo não entrega suas obrigações mínimas? É mais fácil, nesse caso, acreditar no Doutor Laranjeiras. Sei que é duro aceitar isso. Mas essa é a cabeça do pai. O amor cega. E o amor incondicional, somado ao medo da perda do bem mais precioso, cega ainda mais. Só quem é entende.

É triste falar isso, mas é verdade.

Agora pode ter certeza que se, por outro lado, você for um bom filho e estiver amparado por notas boas na faculdade e com um trabalho digno, seus pais vão escutar seus argumentos. Talvez eles até discordem, mas entenderão que você já tem a capacidade para trilhar seu próprio caminho. Falo isso por experiência própria. Minha família jamais entendeu ou concordou, mas aprenderam a respeitar minhas decisões baseados nos resultados que eles viam no meu aperfeiçoamento individual.

Para finalizar, posso garantir que não existe melhor argumento contra um proibicionista do que você mesmo. Imagino como deve ser difícil, para eles, engolir que um maconheiro é mais graduado, mais bem sucedido, ganha mais grana, é melhor atleta, toca melhor piano, é melhor orador ou escreve com mais paixão do que eles próprios. Como argumentar com atitude? Só sendo muito burro ou mal-intencionado.

Tenha orgulho de ser maconheiro. Mas tenha ainda mais orgulho do que está dentro da sua cabeça, das suas idéias e atitudes. 

Se você concorda com esse texto, passe essa informação adiante. Publique no seu mural do facebook, espalhe no twitter, coloque fogo no seu baseado e nessa discussão. Mesmo que você não fume, respeite, informe-se e tenha uma opinião.

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Acordei cedo para fumar. Algo que nunca havia feito na vida. Era a segunda feira do Cannabis Cup e tinha que parar de fazer a cabeça antes do jantar, assim dava tempo de eu dormir careta. Não consigo dormir chapado.

Primeiro, dei uma pedalada até o Katzu, na esperança de fumar algo do Soma. Infelizmente, só abria depois do meio dia. Perdi a viagem.

Então me lembrei que o Stoners Café é um lugar legal e costumava abrir cedo. Segundo meu guia do evento, eles estavam concorrendo com algumas espécies e presenteavam os juízes com uma “goodie bag”. Parecia bem atrativo.

Quando cheguei, o café estava vazio. Também, não conheço muita gente que acorda antes das nove para fumar um baseado. Mas para este cannabista era um dia especial. Eu queria votar direito e aproveitar a experiência de ser juiz da melhor maneira possível. Era impressíndivel dar um intervalo bom entre as genéticas para entender melhor seus efeitos

Como disse antes, o café estava vazio. Naquele momento eram eu, dois meninos Gregos e a atendente.

Pedi um capuchino forte, e olhei o menu de maconha. Ela reparou no meu crachá de juiz e perguntou se eu não ia experimentar a genética inscrita por eles. O nome dela era Doctor Greenspoon, e é criação do Barney’s.

Sem pestanejar pedi uma grama. Quando a “bag” de fumo caiu na minha mão achei que ela estava de sacanagem. Aquilo não era maconha. Uma planta galhuda, com flores de cálices gordíssimos, como nunca havia visto. Somava-se a isso a distância anormal entre cada algodão do camarão.

Estava prestes a perguntar a “budtender” se havia algo errado, quando reparei na quantidade de resina na planta. Era algo absurdo. Os pequenos galhinhos finos que, circundavam as bolas dos cálices estavam tão resinados que dificultava determinar a cor do fumo. Seguindo a referência das flores, dava para dizer que é de um verde muito escuro, quase beirando o marrom.

Decidi não fumar ele naquele momento e guardar para depois do festival. Queria experimentar aquela estranheza sem a influência de nenhuma outra planta.

A Doctor Greenspoon, recebeu esse nome em homenagem a um grande advogado da causa da legalização. Dr. Lester Grinspoon nasceu em 24 de junho de 1828 em Newton, Massachusetts. Ele é Professor Emérito de Psiquiatria da Harvard Medical School. Como qualquer outro, mesmo sendo um Doutor, Lester acreditava que a maconha era o diabo. Iniciou seus estudos com o objetivo de provar que a maconha era maléfica. Quando, por fim, descobriu que de fato ele sofreu de lavagem cerebral como qualquer outro, trocou de lado e passou a advogar a favor da maconha.  O destino também foi cruel em aproximar ainda mais Dr. Grinspoon da maconha. Seu filho mais velho morreu de câncer com 11 anos.  Mesmo assim a erva foi o único remédio que aliviou os terríveis efeitos ada quimioterapia no menino. Foram os efeitos terapêuticos da maconha que converteram o oposicionista em apaixonado defensor.

Em 2010, o Barney’s lançou essa genética que abocanhou o Cannabis Cup do mesmo ano. Eles chamam ela de uma “heirloom genetic”. Em outras palavras, uma relíquia, uma raridade ou especiaria. Segundo todos os relatos uma planta única, que destaca-se no jardim por sua aparência, tamanho e quantidade de resina, podendo demorar até 3 meses para florescer e amadurecer por completo.

Alguns dias atrás decidi fumar aquela delícia que estava guardada desde a manhã do Cannabis Cup. Liguei a água da banheira no talo e fui bolar um baseado gordo.

Seguindo a rotina, primeiro cheirei bem o fumo. Mesmo depois de aberto, tinha pouco bouquet, mais para o cítrico, talvez limão ou lima. A fumaça pega muito na garganta e apenas depois de TRÊS pegas estava imerso numa bolha de THC. Uma sativa clássica. De chapa longa e potente. Tão cerebral que obviamente não foi criada para conversar. Minha mente viajou muito enquanto esquentava o corpo na banheira quente.

Certamente uma planta que vale a experiência. Apesar de ela ser bizarrinha, o fumo e a chapadeira são muito agradáveis, tanto no cheiro e sabor, quanto no efeito.

Referencias:

  1. http://www.weedyard.com/Strains/DRGrinspoon.html
  2. http://www.marijuana.com/strains-definitions/
  3. http://www.headsite.com/dr-grinspoon-feminised-seeds-578-p.asp
  4. http://www.youtube.com/watch?v=tEtpxPWjcrw
  5. http://www.barneys.biz/

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Quem alimenta o tráfico é você! 

Quando a conversa começa assim prepare-se. Do outro lado está alguém que não entende nada do nosso ponto de vista, nesse caso o do maconheiro, e tem uma mente dualista onde apenas depois de encontrar um culpado, atingirá paz em seus questionamentos. E como é complicado discutir com pessoas assim. A lógica para elas é tão simples: se você não fumasse, não existiria o tráfico. Bom, se é assim, eu também tenho uma percepção a respeito deles. Afirmo categoricamente, que essa é a opinião dos desinformados, ingênuos ou mal-intencionados.

Mesmo assim, infelizmente, esse é o ponto de vista de uma parcela grande de nossa sociedade, que prefere apontar o dedo ao invés do processo mais difícil que é entender o problema. Essa é a típica opinião do leitor de manchete, sem profundidade e que, além de ser simplista, covarde e discriminatória, é acima de tudo muito conveniente. Afinal, eu não fumo, então obviamente, não faço nada de errado para alimentar esse sistema corrupto. Eu, como bebedor de cerveja, vinho, fumante, crente ou careta não tenho responsabilidade nenhuma com isso. A culpa é dos maconheiros, esses egoístas, que só querem ficar doidões enquanto a sociedade paga o preço. Entendeu a lógica? É o típico “eu lavo minhas mãos”. Só que elas já estão bem sujas.

Sinceramente, a sociedade paga um preço ainda pequeno. Claro! Porque quem paga mais são as comunidades próximas ao tráfico, ou o próprio maconheiro que apanha da polícia e ainda é aterrorizado pelo traficante. Ou você acha que subir morro é como no Tropa de Elite? Onde maconheiro chega cumprimentando traficante e termina fumando maconha no alto do morro, com uns caras de metralhadora, dando risada e curtindo o visual? Essa imagem não corresponde com a realidade.

O usuário sobe o morro com medo, em um ambiente de forte ameaça de violência e intimidação. Podendo ainda ser pego, no meio do caminho por um policial, que nesses casos, provavelmente só quer achacar algum dinheiro ou mesmo um pouco de droga para uso próprio.

Ai, depois disso, você vem me falar de pagar o preço. Eu estou pagando um valor altíssimo pela sua ignorância. Pela sua falta de informação e comodismo. E isso que não precisa mais nem levantar essa bunda do sofá para ler e se informar, basta querer.

Já escutei gente justificando que é a lei de mercado. Se não existisse oferta, não existiria tráfico. Certo. Podemos aplicar essa lógica em tudo então? Sim, porque se for assim eu até aceito parar de fumar. O que você acha?

Então aqui eu conclamo todos os bebedores de álcool a pararem de beber. Pois afinal de contas, eles são o exemplo para as gerações de malucos que enchem a cara e vão dirigir. Ou por que não falar dos maravilhosos comedores de carne? Que por culpa deles acabam com a Amazônia através da pecuária extensiva? Ou vamos cobrir as mulheres bonitas! Afinal de contas tem uns malucos que não se controlam e acabam abandonando a família, por um rabo de saia.

Não, pensando bem, mulher bonita deixa como está.

Sem ironias agora, numa boa. É obvio que se eu continuar, você vai ver que todo mundo, de alguma forma, tem o rabo preso. Então vamos ser realistas. O buraco é bem mais embaixo do que falar que eu tenho que parar de fumar meu baseado.

Outro dia um cara me falou que eu não poderia comparar maconha com vinho, uísque ou cerveja porque existia uma tradição, uma história de uso dessas substâncias. Para ele, não tinha a mesma alma e nem qualidade desses produtos.

Não respondi nada. Deixei assim. Deu preguiça de engajar-me numa argumentação com ele. Afinal, o cara é um coitado. A maconha só é de baixa qualidade porque é ilegal. A cultura que existe na cannabis é tão ou mais rica do que a do vinho. Basta observar que vinho só produz safra de boas qualidades em determinadas regiões, enquanto a maconha é totalmente democrática e cresce em qualquer parte do planeta. É possível, inclusive, plantar maconha de qualidade no pólo norte. Graças a adaptabilidade que permite colher facilmente “indoor” sob luzes artificiais.

Isso que eu nem vou entrar na quantidade de fenótipos, sabores e formas de consumo.

Só para ficar no haxixe, que tem uma gama infinita de qualidades e procedências, iniciando nos “culeros”, passando por afegãos, os incríveis indianos de resina fresca “charas” e terminando nos modernos “ice hash”. Formas bem diferentes de extrair a resina da planta e que mudam completamente o produto. E aqui só falei de haxixe. Porque quando o assunto é plantas a coisa fica ainda mais interessante. Variedades que se misturam, fenótipos que se complementam e adaptam as mais variadas características de nosso planeta, do Himalaia as regiões Equatoriais e Tropicais. Cada uma delas com suas qualidades únicas de sabor, chapadeira e odor.

Do ponto de vista político, hoje, fumar um baseado já se tornou um ato de desagravo a lei vigente, que não passa de um controle social a uma minoria: os usuários. Essa minoria se personifica nos negros, favelados, estudantes de filosofia da USP, surfistas, hippies ou contestadores em geral. É apenas mais uma desculpa para que essa elite cristã branca, extremamente reacionária, possa interferir na sua dignidade, liberdade de expressar-se e governar o próprio corpo.

Eu vou ainda mais longe e afirmo sem medo:

Fumar maconha é um ato de desobediência civil.

A lei está errada e tem que mudar. A sociedade não quer saber de escutar a opinião de uma minoria. Prefere tapar os ouvidos a ciência, fechar a boca para a verdade e fingir que não tem nada com isso. É a ditadura da maioria e não democracia!

Afinal, quem alimenta o tráfico são os maconheiros.

O gesto de fumar um baseado, deve ser interpretado, seja a erva vinda de onde for, como um ato de desobediência civil e deve ser enaltecido. O cultivo de maconha para uso pessoal, é um degrau ainda acima do anterior. É um exemplo de ativismo e coragem, pois o cara coloca a sua liberdade em risco para aliviar a barra do proibicionista desinformado.  

Está na hora de a sociedade mudar na marra e, se ela não quer enxergar o óbvio, vamos invadir as praças, praias, cachoeiras e pôr-do-sol desse país com nossa marofa. Vamos infestar o ar com a fumaça de nossos baseados. Talvez assim a maioria olhe para nós e entenda que o fato de eu fumar maconha só tem ligação com o crime organizado porque existe uma lei medieval, infundada e ridícula que obriga-nos a viver na ilegalidade.

Por todos esses motivos, como maconheiro e conhecedor do assunto, posso inverter a acusação e dizer: a culpa do tráfico é sua. Você que apóia essa política fracassada, seu careta!

Se você concorda com esse texto, passe essa informação adiante. Publique no seu mural do facebook, espalhe no twitter, coloque fogo no seu baseado e nessa discussão. Mesmo que você não fume, respeite, informe-se e tenha uma opinião.

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Eu ia começar a escrever sobre as genéticas do Cannabis Cup desse ano quando me dei conta que, muitos dos seguidores aqui no blog, não tem o conhecimento básico necessário sobre a história de algumas das principais plantas competindo esse ano.  Baseado nas inscrições dos últimos festivais,  resolvi falar sobre um dos principais ramos de sativa da história de nossa erva: a família com sobrenome “Haze”. Mas o que quer dizer essa palavra que acompanha tantas genéticas?

Vou repetir uma frase que já ficou comum aqui no Blog mas é sempre bom reforçar. As referências histórias e nomes são muito difíceis de serem rastreadas. Tudo devido a ilegalidade. Os fatos que irei narrar são o mais próximo que eu consegui chegar de uma história coerente para  ilustrar esse ramo tão importante das sativas.

Tudo começou da década de 70, claro. Entre 1970 e 1975, próximo a Santa Cruz, precisamente em Corralitos, no miolo da Califórnia, dois irmãos plantadores conhecidos como “Haze Bros” cultivavam algumas das sativas mais apetitosas de sua época. Entre as variedades que eles usavam em suas cruzas estavam, colombianas, mexicanas, tailandesas e sul indianas. Todas vindas através de sementes importadas sabe-se lá como. Vale lembrar que não existiam “seedbanks” naquela época.

As espécies exatas usadas pelos “Haze Bros” são desconhecidas. Algumas, no entanto, acabaram por serem descobertas. Entre as Colombianas acredita-se que incluíam a Highland Gold e a Wacky Weed. Pelo lado das Sul Indianas, aposta-se em plantas originárias da região de Kerala.

A seleção dos fenótipos mexicanos e colombianos tinha como base seu período de maturação. Eles escolhiam as plantas que floresciam melhor, na latitude 36.9 norte, na região de Santa Cruz, sendo cultivada em estufas. Tudo muito mais baseado no cultivo e na adaptação das plantas a necessidades locais. O objetivo nunca foi criar um banco de sementes.

Os irmãos “Haze” eram cultivadores “sensimilla”, ou sem sementes. Algo que só atesta seu cuidado com o produto final. Seus fenótipos acabaram ganhando fama e ajudaram a espalhar ainda mais o nome “Haze”. Entre esses fumos destacam-se o famoso “Purple Haze”, “Silver Blue Haze” e “Lime Haze”. As variedades púrpura chegavam a valores bem altos no mercado e isso incentivava o desenvolvimento dessas espécies. Mas quem evitaria plantar uma variedade que atingia o valor de 500 dólares a onça?

Como já falei aqui no texto, pela forma com que os irmãos “Haze” focavam suas experiências, fica claro que eles não eram “breeders” e sim plantadores. Os caras nunca trabalharam os seus híbridos em uma linha genética consistente. Isso só foi acontecer depois que um de seus vizinhos, de Santa Cruz, Sam o “Skunk Man”, começou a ajudá-los a produzir a variedade estabilizada de “Haze”, que conhecemos hoje em dia por “Haze” Original.


Em 1984, Sam mudou-se para a Holanda e a coisa cresceu. Em sua bagagem vinha a genética “Haze” que foi introduzida pela primeira vez no mercado de sementes. Em seu catálogo #4, da Cultivator’s Choice, escrito e publicado no outono de 1985, Sam lista a “Haze” como a numero 10 de seu “line-up” de espécies.

Nesse relato Sam reafirma algumas das características da “Haze” original. Em suas palavras, ela é um hibrido inconsistente, onde 10% das plantas são espetaculares, 75% são boas e 10% são fracas. Algo bastante ousado e honesto para um “breeder” dizer sobre sua filha.  Ele ainda comenta que a planta precisa de 3 meses de floração para atingir todo seu potencial. Sobre os efeitos, Sam comenta sobre a chapa energética e limpa, clássica entre as sativas. Nas suas últimas linhas ele destaca que a planta não desenvolve-se bem em outdoor na Holanda ou no norte da Califórnia, precisando de mais luz solar para amadurecer perfeitamente seus camarões doces.

Nessa época o Sam não tinha híbridos de “Haze” em seu catálogo. Obviamente isso acabou caracterizando- se em um problema para os Europeus. Afinal, como cultivar uma planta que não desenvolve-se em outdoor no Norte da Europa, e é muito ruim para cultivos indoor com luzes artificiais? A resposta está em desenvolver sub-variedades adaptadas a essas necessidades.

Foi nesse ponto que outro personagem entrou na história.

Ao mesmo tempo que Sam chegava na Holanda carregado com algumas das genéticas mais poderosas dos Estados Unidos, um jovem Australiano/Holandês chamado Neville Schoenmakers nadava em pilhas de dólares. Através de sua empresa “The Seed Bank”, Neville havia colocado um anuncio na “High Times” em 1984 oferecendo sementes de altíssima qualidade. Não demorou para que envelopes carregados de notas de dinheiro começassem a chegar na sua caixa do correio.


Neville começou a colecionar e guardar o máximo de sementes, através de uma infinidade de fontes diferentes. Sempre com a metodologia de plantar e selecionar as melhores plantas para cruzamento. Desta maneira sua coleção de fenótipos crescia rapidamente.

Para coroar sua empreitada, ele comprou uma casa vitoriana na divisa entre Alemanha e Holanda e nomeou-a “The Cannabis Castle”, reformando os dois primeiros andares e convertendo-os em áreas de cultivo. Os jardins da casa foram transformados em estufas de vidro onde ainda mais variedades eram estudadas em condições “outdoor”. Foi então que Neville conseguiu algumas sementes de “Haze”, das quais ele cultivou 3 plantas, nomeando-as A, B e C; sendo que A e C eram machos e B era fêmea. É nesse exato ponto que todas as controvérsias sobre a origem da “Haze” nasceram. No momento em que o Neville pegou essas sementes muitos egos ficaram abalados, obviamente. Incluindo Sam, claro.

Sam o “Skunkman” insiste que o Neville obteve suas sementes com ele, logo depois de sua chegada na Holanda. Por outro lado Neville afirma que suas plantas são originadas de material que ele conseguiu de um cara em NY com uma coleção antiga de sementes. Entre essas estavam algumas que vieram do estoque dos irmãos “Haze” de 1969.


Então ficamos assim. Sam afirma que a origem da genética “Haze” do Neville vem dele. Enquanto o Neville fala que não. Acho que já dei muita atenção para essa polêmica, então vou estacionar ela aqui e continuar falando do que interessa mesmo: maconha boa.

O próprio Sam criou uma série de híbridos. Os dois mais famosos foram Haze x SK#1 e Haze x Keralan (uma sativa Sul Indiana). Essas espécies eram conhecidas por “Fuma Con Diablos” e “Haze Mist”, respectivamente, e eram vendidas pelo “The Flying Dutchmen”.

Voltando ao Neville. Eu havia comentado que ele tinha 3 plantas de “Haze” chamadas de A, B e C. Lembrou? Bom. A e C eram machos e B era uma menina. Essa menina não era uma planta muito interessante. Meio feinha, caidinha e com uma chapa ruim. Por esse motivo Neville descartou ela. Os machos eram mais interessantes. O garanhão chamado de A tinha um cheiro apimentado, enquanto o gostosão C tinha mais aquele gosto terroso achocolatado de tailandesas. Sendo assim, Neville sugeriu que A era um macho com fenótipo mais colombiano, enquanto C era uma “Haze” com características mais “Thai”, obviamente.

No catálogo de 1988 do “The Seed bank” Neville fala um pouco sobre a “Haze”. Ele descreve a planta como uma sativa de longa floração, apreciada e considerada por especialistas como a melhor maconha do mundo. Também fala que a planta foi quase extinta após o “boom” dos anos 70 e que felizmente ele tinha algumas sementes da última colheita em terras americanas. No texto ele novamente atesta as qualidade de hibridização da planta, comentando sobre como ela adiciona efeitos deliciosos a chapadeira, alem da complexidade do sabor.

Existe uma infinidade de híbridos produzidos a partir desse ponto da história. Alguns muito famosos como Neville’s Haze, NL#5 x Haze, Super Silver Haze, entre outros. Nomes interessantes também entraram na brincadeira como DNA Genetics, Soma, Green House e Barney’s. Como o texto já está longo, vou deixar para falar desses anos mais recentes conforme evoluir na descrição das genéticas.

Parabéns se você agüentou o texto até aqui. Agora vem o prêmio do Cannabista para quem empenhou tanto tempo em ler o dever de casa. Sem maiores perdas de tempo, vamos aos “smokereport” propriamente ditos.

   

A primeira genética que colocarei nesse post chama-se Hawaiian Snow. Uma excelente planta, com porte de campeã. Essa é a genética escolhida pelo Green House para competir no Cannabis Cup desse ano. Ela não é uma total desconhecida, já que é um fumo com passado campeão, tendo vencido a Cannabis Cup de 2003.

Apesar do Arjan não admitir, a Hawaiian Snow é uma mistura de algumas das mais interessantes e diferentes plantas de origem “Haze”, com todas as características necessárias para os amantes de sativas. Hawaiian Haze x Nevil’s Haze x Pure Haze são as genéticas envolvidas na construção dessa beleza. E são elas as responsáveis pela maioria de suas características como o odor característico e a chapa quase psicodélica.

Uma planta muito cabeluda e cheirosa. Um fumo com tons cítricos fortes, clássico “Dutch Haze”, com um efeito adstringente agressivo também. A Hawaiian Snow tem um camarão extremamente cabeludo, com estigmas na cor marrom claro.  A quantidade de resina também impressiona, deixando o belô com uma aparência muito bonita. Um camarão mais solto e leve, com densidade menor do que a maioria dos “rockbuds”.

A chapa é forte, energética e claramente sativa. Eu tenho uma sensibilidade muito grande para essas plantas. Então não costumo exagerar em meninas com sobrenome “Haze”. Mesmo assim, não abri mão de deliciar-me com ela.

A maioria dos jurados, aqui na Holanda, não impressionaram-se com a chapa da Hawaiian Snow. Em todo caso eu considerei o efeito muito agradável. Claro, essa não é a planta que você apresentaria para alguém com algum passado psicótico. Até porque esse alerta pode ser estendido a todas as meninas com sobrenome “Haze

  

A próxima da fila é a campeã. A Liberty Haze foi a grande vencedora do Cannabis Cup 2011 e é um fumo de primeira, com certeza. Claro, devemos sempre fazer a ressalva de dizer que venceu também pelo marketing que seu coffeeshop fez durante todo o evento. Em todo caso, não é justo atribuir apenas a isso sua vitória. O Green House investiu ainda mais mas não venceu com sua Hawaiian Snow, então méritos ela teve.

O sabor da planta é diferente. Uma tonalidade doce, não muito cítrico. O odor não é tão forte. Algo mais discreto do que a invasão cítrica adstringente que a Hawaiian Snow proporciona. Por outro lado o fumo é muito mais resinado, menos cabeluda e com uma chapa mais potente.

Depois de acender o baseado o “aftertaste” não é muito forte. Infelizmente, esse é um critério que poucas maconhas tem se saído bem nesse Cannabis Cup.

O efeito é bem energético. Uma coisa que eu gostei e me deixou confortável foi o fato de ser pouco psicótica. Apesar de todo aquele efeito cerebral da “Haze”, não senti a tradicional vontade de sair correndo para fora do “coffeeshop” para respirar um pouco de ar puro.

Tentei encontrar mais informações sobre as genéticas que constituem essa delícia mas achei pouco. Assim que souber mais posto aqui.

Tenho apenas uma coisa a dizer sobre a próxima genética, G-13 Haze: Que planta é essa? Certamente a delícia mais potente que fumei nesse Cannabis Cup e talvez na minha vida. Experimentei ela sentado em uma mesa confortável do Coffeeshop Amnésia, já havia fumado umas 5 plantas naquele dia e estava guardando a “G-13 Haze” para o momento certo. Mesmo estando extremamente chapado, senti o efeito do fumo mudando minha percepção logo após o primeiro pega. Uma verdadeira bomba. Um amigo meu, que estava na mesa e é 10 vezes mais maconheiro do que eu, arregou na metade do baseado. Chegou a ser engraçado. Fui obrigado a apagar o “beck” pela metade pois a galera não agüentou a potência. Mas também é complicado competir com essa combinação genética. Duas das plantas mais potentes da história, reunidas em um único híbrido. Ai pouca cabeça agüenta.

A primeira vez que alguém falou dessa planta foi no catálogo do “The Seed Bank” de 1989. Ela era a cruza da “Haze” C do Neville com um clone original da famosa “G-13”, que o governo americano desenvolveu secretamente. Os relatos da época dizem que mesmo assim, G-13 x Haze não foi uma combinação tão feliz, na opinião do breeder. Talvez por isso só tenha ficado no catálogo do “The Seed Bank” por um ano. A história dessa genética praticamente acabou aqui, já que ela foi quase extinta e pouco falou-se dela nos anos que se passaram.

Felizmente esse não foi o fim e novos capítulos da “G-13 Haze” começaram a ser escritos em 2001. Foi nessa data que um novo personagem entrou na brincadeira. Seu nome é Soma. Talvez muitos aqui no blog já estejam familiarizados com essa figura rara. Falei um pouco sobre ele no post anterior sobre Somalicious.

O Soma decidiu começar o seu trabalho com “Haze” tendo como base o material do Neville’s de uma década atrás. Para tanto o ele utilizou-se de 10 sementes que ganhou do Ed Rosenthal.

Esse macho de “G-13 x Haze” que o Soma encontrou era basicamente uma versão do macho C do Neville com uma pequena influencia de G-13.  Como o Soma não é “miguelão” distribuiu alguns clones desse macho para outros bancos de sementes. A “DNA Genetics, por exemplo, criou várias variedades com esse garanhão. Entre elas estão: Connie Chung, Sour cream, Super Cannalope, Chocolope, C13 Haze e Martian Mean Green.

O G-13 Haze que eu consegui é uma versão dessa planta criada pelo Barney’s. Pouco se sabe sobre seu parentesco. O Barney’s apenas fala que é uma cruza entre a G-13 e uma sativa havaiana chamada Hawaiian Haze. Como o clone da G-13 está morto a mais de uma década, não é errado sugerir que essa planta é uma cruza do macho do Soma com alguma outra planta. Difícil acreditar que tenha-se usado uma G-13 pura original.

Mesmo assim o fumo merece todo respeito. Como havia falado antes, um camarão estilo “rockbud”, resinado ao extremo e bastante cabeludo. Aquele cheiro cítrico adstringente clássico da “Haze” está presente. Apesar disso, não é uma planta muito cheirosa. O camarão fechado exala pouco odor. Essa é uma característica comum em muitos “rockbuds”.

Depois de aceso o fumo aperta o pulmão. Rola uma pequena falta de ar até. Me lembra um pouco o efeito de uma maconha que provei vinda da Califórnia em 2006 chamada “Asma”. Não preciso explicar porque ela tem esse nome. Certo?

Mesmo sendo uma chapa sativa extremamente potente ela é leve. Não senti os efeitos psicóticos fortes. Inclusive acho que a pitada de “G-13”, uma indica característica, deixou a menina mais social. Adorei a vibração que ela trouxe para a música. Me lembro que estava tocando algo que nem entendia direito no Amnésia e mesmo assim não parava de mexer o corpo acompanhando o ritmo. 

Uma das melhores genéticas que provei nesse Cannabis Cup. Se não ganhar nada não tem problema. Continuará estando entre minhas 3 favoritas.

Agora vamos falar da Super Silver Haze. Escolhi essa genética para se ter uma boa referência de comparações, com as outras “Haze” que estão nesse post. Ela é um clássico, cujo nome é conhecido em todo mundo como uma das plantas mais impressionantes de todos os tempos.

Sua história remota a 1997. Logo depois de abrir seu Green House Centrum, o terceiro da rede, Arjan, Neville e Shatibaba começaram a trabalhar juntos numa nova genética. Cada um deles selecionou uma fêmea de uma colheita de 1000 NL5 x Haze. A fêmea escolhida pelo Neville virou a mãe da Super Silver Haze, enquanto a menina do Shatibaba converteu-se na parte feminina da Mango Haze.

Em abril de 2007, Shatibaba explicou como foi esse processo de seleção, no site mrnice.nl, onde é moderador. Em suas palavras a SSH é uma daquelas plantas F1 que você tem certeza de ter algo espetacular em todo pacote de sementes. Ele confirma a informação de que foram necessárias mais de 1000 sementes de NL5 x Haze para chegar na mãe perfeita. Depois dessa seleção ainda fizeram um teste de descendência (progeny test), que no fim das contas é a única forma de avaliar se a característica escolhida vai perpetuar nas próximas gerações. A SSH é uma planta que exigiu um trabalho gigantesco e isso pode ser testemunhado na qualidade de seu fumo.

Essa mãe de NL5 x Haze que o Neville selecionou foi então apresentada a um macho Skunk x Haze. O resultado dessa experiência foi inscrita na cateoria de hidro, no Cannabis Cup de 1997, vencendo o primeiro prêmio. A Super Silver Haze começou a ser vendida em forma de sementes em 1998, também no Cannabis Cup. Ainda nesse evento ela venceu na categoria hidro, novamente, além de ficar com a primeira colocação geral. Em 1999, para variar, venceu de novo, conquistando algo inédito: a tríplice coroa do Cannabis Cup. Uma planta que converge algumas das genéticas comerciais mais importantes do mundo: Skunk, NL e Haze. Se existe um pináculo da construção de uma planta de maconha ele chama-se Super Silver Haze.

Uma chapadeira complexa. A forte presença sativa da Haze se faz presente, dando tons quase psicodélicos a alteração de cores. O sentimento físico bodiante e relaxante, traz lembrança dos efeitos afegãos emprestados da Northen Lights. As alterações musicais e filosóficas também fazem-se notar. Uma chapa de grande qualidade.

A aparência do fumo é bonito. Extremamente resinado, com bastante concentração de cabelos e uma tonalidade azul escura, que pode ser confundida com verde clara devido a quantidade de tricomas. O odor segue a linha da Haze, com aquela profundidade cítrica herdada das colombianas e uma pegada apimentada na ponta da língua, um presente das genéticas afegãs.

Não há como não perceber a complexidade dessa planta em todos os aspectos que constituem um bom fumo. Um presente que o Neville deu para o mundo da maconha.

Referências:

  1. https://www.greenpassion.org/index.p…ry-from-uk420/
  2. http://www.youtube.com/watch?v=tbKCaXRMErQ
  3. http://en.seedfinder.eu/strain-info/…_or_Legendary/
  4. http://www.thekingofcannabis.com/haze.html
  5. http://img1.imagilive.com/1210/Image_43ed.png
  6. http://www.mrnice.nl/forum/4-talk-sh…rothers-6.html

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Soma é uma palavra originaria dos Vedas, “sóma” em sânscrito, e é usada para definir um ritual místico de beberragem, onde o ingrediente principal da bebida é uma planta. A etimologia da palavra, inclusive, revela que na linguagem proto-indo-iraniana, “sauma” quer dizer planta. Infelizmente não se tem uma explicação definitiva de qual vegetal os Vedas indicam como ingrediente da poção. Bom, talvez os historiadores não tenham a resposta mas o Cannabista tem uma sugestão.

No contexto desse post, Soma não é exatamente uma planta mas uma pessoa. No dia 22 de agosto de 1949, em Pittsburgh, nasceu o homem que definiria toda uma linhagem de plantas através do nome que ele adotou.

O Soma é uma lenda entre os cultivadores de maconha. O cara além de um excelente breeder, é também um ativista. Um  exemplo de seu engajamento na causa da maconha medicinal se deu quando sofreu de calcificação da válvula aórtica. Após a cirurgia, decidiu medicar-se apenas com maconha e foi apontado como maluco por muitos. Segundo seu cardiologista, que ele visita anualmente, Soma apresenta uma saúde muito boa e está plenamente recuperado da operação.

 

Atualmente o Soma tem uma prescrição legal de 15g de maconha por dia. O que equivale a 3 vezes minha quantidade mensal. Muito? Isso depende de cada indivíduo. Quando eu observo seu trabalho no campo da genética não me sinto confortável em tecer julgamentos. Cada um sabe a quantidade que sua cabeça aguenta. A dele, certamente, aguenta muito!

Essa figura controversa cultiva nossa planta desde início da década de 70 mas ficou realmente famoso após sua chegada a Holanda. Nessa terra ele achou espaço para desenvolver seu grande sonho: a Soma’s Sacred Seeds. Como breeder ele venceu inúmeros Cannabis Cup e tem seu nome escrito na história da erva, sendo desenvolvedor de espécies como “NYC Diesel” (fantástica), “Amnésia Haze” (para quem gosta de sativas um clássico), “Lavanda” e “So Gouda” (mais uma variação da Cheese).

O Soma conduz seus experimentos em 2 países onde as leis são mais razoáveis com plantadores. Ninguém sabe a localização exata, óbvio, mas o próprio fala que estão na Espanha e na Holanda.


A “Somalicious” é uma de suas criações. Para alguns, a mais saborosa também. Não achei muitas matérias sobre essa espécie na web e somente encontrei ela para vender em um coffeeshop. Na minha modesta opinião, isso só faz essa espécie ficar ainda mais interessante. Adoro imaginar que sou um dos novos exploradores desse território das espécies de maconha. Não tão modestamente falando, acho que sou um dos únicos (se não o único) que escreve em português sobre o tema.

Bom, feita a tradicional contextualização da planta, vamos falar um pouco dessa espécie e seu smokereport.

A Somalicious é uma genética 100% indica. Sua mãe é uma “LA Confidential”, desenvolvida pela DNA Genetics. A “LA Confidential” é a versão comercial de uma lendária planta chamada “Oridinal Gangster Kush” ou apenas “OG Kush”. Ela ficou famosa na região de “San Fernando Valley” e é considerada a mais potente de todas as plantas de origem “Kush”. Como toda maconha lendária, sua genética era restrita apenas a clones. Sementes estáveis não existiam e a DNA Genetics, apenas tentou estabilizar a espécie para que ela tivesse uso comercial e fosse possível a venda de sementes. Assim nasceu a mãe de nossa “Somalicious”.

A “LA Confidential” foi então apresentada a um macho de “Lavander”. Essa última espécie é um exemplo de como a maconha hoje é globalizada. Sua genética é uma combinação de Super Skunk, Big Skunk Korean, Afghani e Hawaian. O nome “Lavander” é originado da cor púrpura intensa que seus camarões apresentam no fim da floração.

A “Somalicious” é o resultado dessa mistura: LA Confidential x Lavander. Uma indica forte e saborosa, com um tom forte cítrico/haxixento estilo afegã que, depois de acesa e inalada a fumaça, acentua tons apimentados na língua. Uma planta não muito cabeluda, com o fumo de coloração verde azulado escuro, além de um pouco da pigmentação púrpura do pai. O camarão é muito resinado mas o bud não é muito denso. Ela faz mais o estilo fluffy e não rockbud, mas mesmo assim o resultado é muito bonito. 

A chapa é longa, funcional, indica/cerebral. Bastante calmante e ansiolítica. Algo que a separa de sua genética paterna. A “OG Kush”, segundo relatos, tem uma onda mais agitada e não é muito boa para o baseado noturno. A Somalicious é uma planta que realmente baixa a motricidade, deixando você pouco disposto a fazer algo além de relaxar e curtir a brisa.

Essa é a Somalicious. Uma planta com uma árvore genealógica complicada mas com um sabor robusto e fácil de ser assimilado. Uma excelente genética para os amantes de uma boa indica e com a cabeça aberta para miscigenações em escala globalizada.

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O assunto desse blog é maconha. Tendo dito isso, noto que uma das maiores curiosidades de quem vem para Amsterdã fica por conta dos alucinógenos e não da erva. Eu, sinceramente, já experimentei uma gama dessa plantas de conhecimento e estou plenamente satisfeito. Mesmo assim não critico, julgo ou tenho qualquer preconceito com quem faz ou fez uso dessas substâncias.

Em 1998 tive uma experiência cósmica com cogumelos, aqui mesmo em Amsterdã. Foi uma viagem extremamente interessante e que afetou profundamente meu entendimento sobre minha psicologia. Eram os anos dourados das drogas aqui na cidade, com o numero de coffeshops explodindo e a venda de cogumelos secos ainda tolerada nos smartshops. Posteriormente, ainda tive outras experiências com cogumelos. Todas elas com produto de procedência controlada e seguindo os cuidados mínimos necessários para evitar “bad trips”. Foi em uma dessas viagens que, com 19 anos, cheguei a conclusão de que era a hora de me endireitar na vida, não depender mais do meu pai e começar a trabalhar sério pelo meu futuro. Conclui que eles já tinham me ensinado tudo que era necessário para o meu crescimento e que, a partir daquele momento, era tudo comigo.

No dia primeiro de dezembro de 2008 cogumelos frescos foram banidos dos smartshops de toda Holanda. O endurecimento da lei foi uma resposta do governo de extrema direita para a morte de uma turista Francesa de 17 anos, que jogou-se de uma ponte de canal, após ter ingerido a substância. Eventos como descrito são raridade entre os usuários de alucinógenos mas os eleitores conservadores exigiam uma resposta política rápida.

Para alguns esse seria o fim dos smartshops. Felizmente esse não foi o caso.

Como diria o Capitão Nascimento, o sistema acha seu caminho. O que antes era um item de menor importância, no catálogo de drogas legais permitidas, assumiu o lugar antes ocupado pelos cogumelos. As trufas, ou “pedras filosofais”, foram melhor estudas e, por não serem frutificações do micélio (cogumelos), não estavam sujeitas a Lei do Ópio. Assim, mesmo tendo o principio ativo idêntico aos dos “magic mushrooms”, as trufas poderiam ser vendidas e consumidas livremente.

Existe uma gama de diferentes trufas nos Smartshops da Holanda. Todas elas são nomenclaturas diferentes para apenas 3 variedades: psilocybe tampanesis, psilocybe mexicana A e psilocybe atlantis. 

A Psilocybe Tampanensis é uma raríssima forma de cogumelos alucinógenos. O único espécime encontrado na natureza foi em 1977, em Tampa, Flórida, por Steven Pollock. Todos os esporos e cultivos que você encontra, hoje em dia, nos Smartshops vem dessa amostra. A segunda vez que essa trufa foi encontrada na natureza foi no Mississippi, mas nenhum esporo foi recolhido.

O que nós chamamos de trufa é na verdade o esclerócio. Ela é uma massa compacta e endurecida do micélio. Nela o fungo guarda nutrientes e água para sobreviver durante os meses de dificuldade. Em alguns casos ele coloca ali, também, psilocibina e psilocina, os princípios ativos da viagem do cogumelo.

Se você está interessado em ter uma viagem alucinógena seja esperto. Prepare-se psicologicamente antes, planeje a sua viagem com antecedência, encontre um lugar bacana para passar o tempo. Se for sua primeira vez, prefira começar sua experiência em um lugar seguro para apenas depois, quando estiveres mais adaptado ao novo universo, sair para o mundo real.

Por fim, caso pretenda interagir com a realidade sob efeitos de psilocina, deixe suas coisas separadas em bolsos diferentes. Tenha um bolso onde você guardará telefone (desligado),  chaves, documentos e um dinheiro de emergência. Coloque na sua cabeça que você só abrirá esse compartimento quando estiver careta de novo. Nos outros bolsos guarde sua maconha, um dinheiro contado (ou você vai gastar tudo) e um mapa com o endereço do seu hotel. Pronto, com esse mínimo de informação você poderá sair na rua.

 Alucinógenos são drogas especiais e necessitam de todo respeito. 

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O Sortudo Azarado.

Nunca na história do Cannabis Cup uma batida policial havia acontecido. São 24 anos de luta pela legalização da erva e nada semelhante jamais ocorreu. 

Podemos argumentar que é um evento comercial, americanóide, que não elege a melhor maconha etc, etc… Não vou perder tempo argumentando sobre isso. A grande questão é que esse evento é um marco. Ele é algo que representa muito no terreno da normalização da maconha. Uma batida no Cannabis Cup é uma declaração de guerra. A invasão da Polônia.

Eu, infelizmente não estava lá.

Não tenho o espírito do ativista. Sou apegado de forma assustadora a minha tranqüilidade. Nunca seria um linha de frente. Mesmo sabendo que estes são a parte mais importante em qualquer revolução.

Tendo dito isso, não deixo de enxergar a importância de pessoas como eu, que se dedicam a escrever de forma clara e didática como é absurda a política de ilegalidade.

Por tudo isso talvez você imagine que eu não queria estar lá.

Mas eu queria. Muito.

O que aconteceu foi histórico e meu lado jornalístico sofre pela ausência.

Então, para não perder mais tempo, decidi que precisava coletar mais informação e corri para as fontes. A primeira parada era o Melkweg, onde teria a festa com o Cypress Hill. A principal atração da noite do Cannabis Cup. Bolei um baseado de “White Snow”, do Homegrow Fantasy Seeds, tirei o cadeado da bicicleta e pedalei rápido.

O lugar estava abarrotado. Apenas duas viaturas estacionadas não muito longe dali. Um cenário completamente diferente do que havia acontecido na Expo algumas horas antes. Não demorei a encontrar um brasileiro, que conheci durante o evento, e ele passou a relatar os fatos que se sucederam na feira, com riqueza de detalhes.

A policia chegou ao local pouco antes das 4:20. Um horário simbólico. Em seguida fechou suas vias de acesso e pediu para a organização comunicar no microfone que todos deveriam sair do prédio. Falaram ainda que seria feita uma revista na busca por excessos no limite pessoal da lei do ópio que é de 5g para uso pessoal e 100g para Coffeeshops.

Segundo investigação da policia, que tinha visitado o evento um dia antes com oficiais disfarçados, havia clara infração a Lei do Ópio. Maconha estava sendo distribuída pelos estandes e pessoas carregavam volumes muito maiores do que os 5 gramas regulamentadas.

Em seguida o que se viu foi uma cena rara. Pessoas jogando sua maconha no chão ou tentando fumar o máximo possível. Baseados gigantes eram acendidos e o carpete ficava coberto de saquinhos contendo as espécies de erva mais caras, valorizadas e potentes do mundo. Ninguém sabia ao certo quanto carregava então, na dúvida, melhor queimar tudo. 

Rapidamente a policia separou visitantes de expositores. Esses últimos foram convidados a ficar em suas posições para futura revista mais qualificada e interrogatório. Segundo as testemunhas, toda operação foi feita de forma eficiente e educada. Mesmo estando armados, nenhuma delas foi sacada e o clima de animosidade ficava mesmo no momento em que os oficiais confiscavam a maconha. Sim, toda maconha foi levada e, mesmo a revista sendo bem tranqüila e até desleixada, muita erva foi apreendida. Nenhuma pessoa foi presa ou agredida, diga-se de passagem.

Números variam mas acredita-se que entre 100 e 200 policiais militares organizavam a operação enquanto alguns fiscais do imposto, com seus coletes verdes, interrogavam expositores sobre suas vendas, produtos e perguntando também sobre recibos relativos as transações.

Inicialmente, a notícia mais falada era de que o Cannabis Cup, por mudar o lugar da Expo, acabou afastando-se tanto de Amsterdã que estava sujeito a lei de outra jurisdição. Essa informação foi desmentida ainda na noite de ontem. Segundo a própria polícia, o que motivou a ação foi a informação de que expositores estavam dando maconha para o público. Esse ato é considerado uma violação da Lei do Ópio e desencadeou todo o processo de fechamento da feira.

Durante a noite no Melkweg, ainda houve o discurso de Dan Skye Diretor Executivo da High Times, que disse que o evento continuaria e que a manhã seguinte seria um dia triunfal para todos os presentes. Logo em seguida ele passou a voz para os caras do DNA Genetics. Segundo informações foram eles os expositores que tinham mais maconha na feira e acabaram assim sofrendo maior pressão dos agentes.

Eles desculparam-se sobre o fato da polícia ter levado os 5g da galera. Depois disso convidaram todos a irem com sua maconha para a Expo e mostrar para a policia quem manda. Além disso fizeram muita propaganda pelo fumo deles e pedindo votos aos juízes. Um fato que foi até engraçado pois eles tinha recebido a palavra para falar sobre a ação dos agentes e não sobre a maconha que eles colocaram para concorrer no evento. 

Link com o vídeo: http://youtu.be/MpaCzu3pWhA

Após o breve discurso do DNA Genetics, que no fim das contas não esclareceu nada, Dan Skye pegou o microfone novamente e falou que eles garantiam a continuidade do evento para o próximo dia. Ele bradou que tudo havia sido negociado com as autoridades e não havia motivos para preocupações. Finalizou dizendo que foi uma surpresa para eles e que todos que estavam lá faziam parte da história. Agradeceu todos com aquela vibração americana tradicional e motivou a platéia para o show da noite.

Conversei com outras pessoas ainda e aproveitei para ficar bem perto do Velho Soma que queimava descaradamente em seu cachimbo quantidades volumosas de haxixe. Com aquela carinha de velho safado ele acendia sua erva com um maçarico ridículo. Logo acima da cabeça dele um cartaz alertava para a proibição do uso de tabaco na pista de dança do Melkweg. Apenas tabaco, maconha estava liberado.

Amsterdã mudou muito para pior. Mas mesmo assim continua Amsterdã.

 

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A cidade de Durban, na África do Sul, não é apenas conhecida por ser a terceira maior do país. Você, então, pode pensar que é o porto que faz essa localidade ganhar contornos internacionais. Essa idéia se fortalece ainda mais traduzindo o nome Durban do “Zulu” para o português. O significado da palavra é baía.

Mas não é por nenhum desses motivos que esse nome se popularizou e espalhou-se pelo globo. A razão dele ser pronunciado nos mais diversos sotaques é a maconha maravilhosa encontrada nessa região.

“Durban” virou sinônimo de sativa de qualidade. Uma planta considerada fácil e simples no cultivo, sendo resistente a fungos e parasitas no geral. O fato de ser uma espécie subtropical coloca ela entre as maconhas de floração rápida. Fato parecido com a “Power Plant”, que é uma sativa de mesma procedência e provavelmente derivada da mesma genética.

A “Durban Poison” é a maconha mais conhecida dessa família “Durban”. Alguns”seedbanks” vendem ela comercialmente, o que prejudica um pouco a avaliação da planta. Não existe apenas uma “Durban Poison”, mas várias. O lugar comum de todas é a origem: “dagga” da região de “Durban”. Qual delas merece ter a nomenclatura “Durban Poison”? Se estivéssemos em uma cultura legal, provavelmente esse nome estaria protegido por um selo de qualidade, como Champagne ou Asti Spumante, por exemplo. Mas num mercado onde a procedência é cada vez mais complicada de rastrear, qualquer “dagga” pode ser chamada de “Durban”. Para se ter uma idéia, a “Power Plant” também é uma seleção de maconha do tipo “dagga” e tem uma aparência e sabor completamente diferente, mesmo nunca tendo sido misturada com genéticas de outros lugares. A conclusão que eu chego é que “dagga” é um termo tão genérico quanto “maconha” ou “mota”. Uma palavra para definir a planta e não um traço genético específico. Dizem que em nenhum outro lugar do mundo existe tanta variedade de fenótipos quanto os da região Sul da África. Uma informação que eu não posso comprovar mas que parece totalmente aceitável.

Voltando ao tema, são inúmeros os seedbanks que produzem sementes de Durban Poison. O primeiro a ter ela no seu catálogo foi o Super Sativa Seed Club, em 1987. Eles definiam a espécie como “uma sativa de floração curta, com uma chapadeira parecida com a Thai, com quem compartilha também semelhanças em sua morfologia”. O “Sensi Seeds”, como sucessor do SSSC, obviamente tem essa espécie disponível para venda. Isso já é um grande passo pois poucos fornecedores tem tanta credibilidade quanto eles quando assunto é procedência da genética. Para finalizar, não posso deixar de falar que o “African Seeds” também vende “Durban Poison”. Coloquei eles aqui pois não tem como não considerar a experiência e a tradição local na avaliação dessa genética.

Esses fornecedores foram listados apenas para exemplificar como é complicado traçar uma característica linear presente em todas essas “Durban”. Quanto mais você entra no universo dessa nomenclatura mais perdido você fica com a quantidade de fenótipos disponíveis.

Comprei uma grama de um exemplar “outdoor”, de “African Durban” no “Supermarkt” fazem algumas semanas. Duvido muito que seja a famosa “Durban Poison”. Na minha opinião é apenas mais uma variedade de fumo derivado de “Dagga” ou mesmo de uma “Durban landrace”. Mas mesmo assim não deixo de valorizar a descoberta. Bem ou mal é uma espécie de origem geográfica definida e carrega características de fumo “Dagga”. Uma ótima oportunidade para comparar com outro fumo de procedência parecida: a “Power Plant”.

O “bud” não era denso mas também não era o estilo algodão selvagem ou fluffy. O camarão é fechado mas com pistilos menos gordos. Parece que estava no processo de virar o “rockbud”, o que indicaria uma semelhança com a genética da “Power Plant”, mas não chegou lá. Pode-se supor que o problema foi a falta de sol, derivado do cultivo outdoor na Europa, ou mesmo uma carência de nutrientes. Outra teoria seria ainda a má escolha das características genéticas para o cultivo. Difícil dizer qual foi o problema sem saber mais sobre como a planta foi tratada até chegar em minhas mãos. Mas o que eu podia esperar por um fumo que custa 5 euros por grama?

O cheiro é muito doce, com um pequeno fundo amadeirado. Sua coloração verde escuro com detalhes amarelados é apetitosa. O bud não é muito cabeludo, seus “stigmas” não eram tão longos e nem na mesma quantidade de outras espécies consideradas peludas, como a “Power Plant” ou a “Mazar”. O gosto da fumaça é agradável, mantendo algo do doce da planta seca e realçando naturalmente o amadeirado depois de aceso. 

Achei a chapa curta, mesmo sendo claramente sativa. Uma maconha de qualidade inferior a “Power Plant” sem sombra de dúvidas. Também o seu preço era de maconha importada de baixa qualidade. A textura da fumaça também não impressionou e o “aftertaste” foi bem fraco. Preciso experimentar uma “Durban Poison” de verdade para entender o poder de um “Dagga” de “Durban”.

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Power Plant - “A Cláudia Ohana das Maconhas”.

O dealer do Supermarkt acelerou muito para me convencer a comprar a Power Plant que ele tinha. Era questão de oportunidade. Uma planta deliciosa vindo de uma safra boa. Não podia perder. O problema é que na ânsia de comprar aquele camarão lindo acabei trocando gato por lebre. O vendedor não era tão entendido e falou que a Power Plant era uma indica boa. Desatenção minha e falta de conhecimento do “dealer” porque aquele “rock bud” que eu estava comprando era na verdade 80% sativa. Paciência. Vamos falar sobre essa pequena sem preconceito.

A Power Plant é uma planta desenvolvida pelo “seedbank” “Dutch Passion”. Seu país de origem é a África do Sul onde sua família é conhecida por “Dagga”. Um outro exemplo conhecido de “Dagga” é a famosa “Durban”. Foi de lá que veio a genética que resultou na Power Plant que conhecemos. É uma planta que nunca foi misturada com outras espécies. Ela passou apenas por um período de aperfeiçoamento genético, através de cruza e seleção dos exemplares mais interessantes dos seus parentes “Dagga”. Assim não é errado falar que a Power Plant é a Miss Universo das maconhas da África do Sul. Talvez, para alguns, a Durban Poison seja mais bacana mas mesmo assim a disputa seria acirrada.  

Por ser de um paralelo mais distante do equador, ela se caracteriza por ser uma sativa de floração mais curta, para aqueles sem paciência de esperar por uma de longo período, como a Haze, é uma boa opção. Dizem que é boa de cultivar tanto “indoor” quanto “outdoor”, pois apresenta grande produtividade e é fácil de lidar, apesar de ocupar bastante espaço como toda sativa. Apenas para citar algumas das características que ela divide com a maioria das plantas oriundas de fumo “Dagga”.


A maconha é de um tom verde-amarelado bonito e bem cabeludo. Talvez uma das plantas mais cabeludas que eu já tenha visto. Perdendo apenas para a Mazar. Isso só contribui para a avaliação de que no teste de aparência é difícil de competir com uma Power Plant. O camarão tem a consistência de um caroço de fruta. Aquele tipo de “bud” que não tem cheiro e precisa ser debulhado para revelar todo o odor.

No teste do beck apagado, que eu faço para testar o sabor, ela foi razoável. Bom, verdade seja dita que depois da Chesse, acho que todas vão parecer sem gosto. Não foi uma surpresa essa falta de aroma da planta já que é uma característica compartilhada por muitos outros apreciadores na internet. Isso apenas ajudou a comprovar que estava com a genética certa na mão. 

O efeito da chapadeira é o típico estilo energética de sativa. Algo que eu não gosto muito. Um ponto positivo, por outro lado, é o efeito visual leve. O que controlou a ansiedade que as sativas me dão, foi a indica que havia fumado na tarde. Ainda bem. A Power Plant não é um fumo para a noite. Isso se a sua intenção é dormir, claro.

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Já cultivei maconha por dois anos. Achava um “hobbie” incrível, mas minha motivação era política e medicinal. Na época, não estava apenas com uma culpa tremenda de financiar o tráfico, passei a me preocupar com a qualidade da substância que colocava para dentro do meu corpo. Acabei pesquisando muito sobre o tema mas nunca havia escutado nada sobre a genética “Cheese”. Talvez por isso eu tenha cometido o erro de, no outro post, chamar ela de nova sensação dos coffeeshops.

Resolvi dar uma estudadinha na genética antes de falar mais especificamente sobre as variedades que testei recentemente: a  Blue Cheese”, “Big Buddha Cheese” e “Green House Cheese”.

Durante esse tempo que moro aqui na Holanda, percebi facilmente que a “Cheese” e suas variedades estão espalhadas pela maioria dos “Coffeeshops”. E em todos tem um espaço respeitável no menu.

Como toda história do universo underground, que baseia-se em fontes que vivem na ilegalidade e no anonimato, minhas referências podem estar um pouco erradas. Mesmo assim, conversando com dealers e lendo na internet acho que cheguei numa versão legal para postar.

Entre 88/89, enquanto o Brasil elegia o Collor, um grupo de jovens resolveu plantar um pacote de sementes de Skunk #1, na Inglaterra. Uma das espécies comerciais mais bem sucedidas da história do Sensi Seed Bank. Entre as plantas que nasceram, uma tinha um fenótipo bem característico. Era mais robusta, tendo um cheiro e gosto fenomenal. Um dos rapazes batizou ela de “cheese”. Afinal o marofa era tão forte que bastava uma grama da erva para impregnar um quarto inteiro.

Posteriormente, ainda na década de 90, essa galera passou a sair com o pessoal do famoso coletivo Exodus, em Luton. Durante as festas e encontros do grupo, algumas estacas (clones) de Chesse foram repassadas para as mãos dos cultivadores do Exodus. Desde esse momento, a espécie caiu no gosto local e se espalhou pelo underground britânico como um rastro de pólvora.

Nada surpreendente ver genéticas mantendo-se viva sem a necessidade de sementes. Assim como a famosa G-13, a Cheese é uma planta não estabilizada, única, sobrevivendo através das décadas apenas na forma de clones, nunca em sementes.

Alguns desses exemplares do Exodus, acabaram eventualmente, saindo da Inglaterra. O mais famoso deles foi parar na mão de um famoso breeder, chamado Big Buddha. Esse cara conheceu o pessoal do Exodus e freqüentou sua base de atuação chamada HAZ Manor (Housing Action Zone). O lugar é uma área no antigo prédio do St. Margaret’s Hospital, nos arredores de Luton. Foi lá que o Big Buddha conheceu os primeiros experimentos com a Cheese e conseguiu seu clone. O seu exemplar veio através de um outro grower famoso chamado Zorro. Essa plantinha continha a mesma genética daquela que os amigos selecionaram no jardim 5 anos antes. Sim, a genética se perpetuava ano após ano sem nenhuma semente ser produzida.

Com esse exemplar na mão o Big Buddha começou seus experimentos e criou algumas das espécies comerciais mais famosas do mundo. Aquele pequeno clone gerou a maioria das sub-variedades de Cheese que encontramos hoje, em Amsterdã.

Entre elas a Big Buddha Cheese que eu comprei no Tweede Kamer.

Essa espécie é a verção estabilizada da Cheese. O Big Buddha, após colocar as mãos no seu clone, decidiu cruzar a espécie com outra planta afim de conseguir sementes e aprimorar a genética. Então buscou um macho para polinizar a fêmea clonada. Pegou sementes de uma Afegã “landrace” que um amigo trouxe de presente, selecionou o melhor garanhão e polinizou uma estaca de Cheese. Durante dois anos ele  trabalhou em retrocruzar a planta até chegar na genética da mãe original. O resultado dessa experiência é a Big Budda Cheese.

O cheiro é realmente forte. A diferença é notória em relação as outras espécies. Mas não é um cheiro de queijo como eu imaginava. É um cheiro cítrico muito forte. Chega a ser ácido na narina, com tons frutados acentuados. Algo realmente delirante. Não sei se tudo isso veio da Cheese ou esse cheiro forte recebeu tons de seu pai Afegão. Eu diria que muito provavelmente. Excelente no requisito odor. Caiu fácil no meu gosto. Linda também da aparência, um verde azulado claro e sem muito cabelinhos.

A chapa é muito boa e altamente funcional. O caráter bodiante me faz apontar facilmente que é de predominância indica. Uma chapadeira longa. Estou escrevendo esse texto fazem horas sobre o efeito inebriante dessa beleza.

A Blue Cheese eu encontrei para vender no Barney’s. Ela é a cruza da Exodus Cheese com um macho de Blueberry, selecionado entre várias “Blueberry” dos melhores seedbanks. O fumo é cheiroso, com tons frutados mais doces do que a “Big Buddha Cheese” mas sem a mesma potência de contaminar o quarto.

Sempre achei a “Blueberry” um baita fumo. Uma planta chatinha para cultivar, como confessou um amigo grower que aprendeu o segredo do “homegrow” com essa genética. Mesmo assim, como pude constatar em uma de suas experiências, o fumo e a aparência compensam o esforço.

A chapa é longa e bastante funcional. No mesmo estilo da meia-irmã sem o Blue no nome. Sinceramente, notei poucas diferenças entre as duas plantas nesse requisito.

O Green House não podia ficar de fora da festa e também lançou a sua versão, nomeando-a de “Cheese”. Achei essa atitude bem a cara do Arjan (dono do GH): arrogante. Ninguém pode chamar uma genética de “Cheese” simplesmente, apenas se essa for um clone da original do Exodus.  Digo isso pois, assim como fez o Big Buddha, os caras cruzaram a mutação da SK#1 do Exodus com uma afegã. É uma hibrida e jamais será a lendária planta cultivada na HAZ Manor. Não adianta chorar, o mais correto seria chamar de “Green House Cheese”. O problema é que também não é tão comercial.

Agora sendo mais específico e julgando a genética por suas característica e não pelo nome.

Primeiramente, o resultado não chega nem aos pés da “Blue Cheese” e “Big Buddha Cheese” quando o assunto é odor e sabor. Apesar de manter os mesmos tons cítricos, o volume do bouquet é bem menor. Mesmo depois de desbelotado, o fumo não expande o seu odor através do quarto. Outro downside da amostra que provei é que a planta não tem aquele sabor picante na ponta da língua característico da Cheese do “Big Buddha”.

Por outro lado, o efeito é o mesmo ou até mais potente que suas primas dos outros seedbanks. Dei apenas dois peguinhas, pois era dia de semana e, juro, só voltei ao meu normal 3 ou 4 horas depois. O estilo da chapadeira também é o mesmo das outras “Cheese”. Uma chapa física, funcional, altamente social e  pouco energética. 

A planta que eu avaliei no parágrafo anterior é a versão de 2006 e vencedora do Cannabis Cup de melhor indica daquele mesmo ano. Já para 2011, o Green House lançou a Exodus Cheese. Uma planta que eles acreditam estar ainda mais próxima da verdadeira espécime descoberta na Inglaterra.

 Essa foi a grande aposta do Green House para ganhar mercado. Já que os concorrentes como o Barney’s tem a aclamada Blue Cheese  ou a Big Buddha Cheese, era chegada a hora de ter uma espécie a altura.

 Um fumo de aparência bonita. Alem disso, é a primeira “cheese” cabeluda que eu comprei. Mesmo tendo stigmas longas e em boa quantidade, o cálice da flor não se desenvolve tanto, dando a sensação de ser um “bud” mais leve, com textura mais de algodão, diferindo do estilo “rockbud” de outras genéticas. A quantidade de tricomas é impressionante, certamente a “Cheese” mais resinada das que eu já provei.

Antes de “desberlotar” o fumo tem cheiro zero. Triste pois é nesse requisito que uma “Cheese” tem que se impor. Muito mais do que na potência e aparência, uma boa cheese tem, como pré-requisito, um cheiro espetacular.

Depois de preparada, o cheiro característico da “cheese” aparece.

Sua chapa é forte. Uma “cheese” de respeito, como já era de se esperar do Green House. Um efeito físico violento, mas extremamente funcional, calma e longa. Uma boa planta para que gosta de chapa indica.

Infelizmente para o Arjan, não chega aos pés da “Blue Cheese”, que o Barneys” inscreveu, em aparência e cheiro. Acho que o “Green House” anda muito focado em criar espécies de potência absurda e chapa forte e anda esquecendo que uma boa planta também depende de cheiro, sabor e “aftertaste”.

Confesso que gostei desse ramo de indicas. Engraçado imaginar que uma mutação da SK#1, que foi uma planta que não me adaptei no cultivo, mesmo sendo considerada uma das genéticas mais revolucionárias da história, originou toda essa lenda.

Agora seja esperto e não dê pala. Se alguém lhe perguntar se você provou algum queijo bom na última visita por Amsterdã responda: Gouda. Tem que entender que, na maoiria, as pessoas não pensam em maconha quando vem para a Holanda.